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Archive for the ‘Estudos’ Category

A vida de Cristo – 12

O livro de João – Cristo, o filho de Deus – II

O Propósito do Livro

Como já observamos, o Livro de João tem uma frase exclusiva sobre o seu propósito:

“Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:30,31).

O propósito de João pode ser desdobrado em três partes intimamente coligadas:

1) João escreveu para confirmar a divindade de Jesus: “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Ele queria que todos soubessem que Jesus é o “Filho unigênito” de Deus (3:16). A divindade de Jesus é revelada em cada uma de suas páginas (veja 1:1;8:58; 10:30; 14:9; 20:28). Alguém disse: “cada vez que João enterrava sua pena no tinteiro ele expirava esta oração: ‘Senhor, leve homens a crerem em Jesus através do que eu escrevo’”.

Uma prova fornecida por João foi os milagres de Jesus. A palavra de João para esses milagres é “sinais” (20:30; veja também 2:11; 4:54; 6:2): eram sinais da parte de Deus de que as alegações de Jesus eram verdadeiras (2:23; 3:2; 4:54; 6:14). Dentre todos os milagres realizados por Jesus, João escolheu sete (2:1–11; 4:46–54; 5:1–9; 6:14 [veja vv. 26 e 30], 16–21; 9:1–41; 11:1–45). Dois deles encontram-se nos sinóticos, e cinco são exclusivos ao relato de João. Em relação à coletânea de João, Merrill C. Tenney sugeriu: “Estes sete milagres deram-se precisamente nas áreas em que o homem é incapaz de efetuar qualquer mudança de leis ou condições que afetam a sua vida. Nessas áreas se provou Jesus poderoso onde o homem é impotente….”

2) João escreveu para gerar fé em Jesus: “para que creiais”. A palavra “creiais”, em suas várias formas, ocorre quase cem vezes no Livro de João. Jesus disse aos Seus ouvintes: “…se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados” (João 8:24b).

João, ao dizer “crer”, não se referia a “consentimento mental”. Em 1:12 ele usou os conceitos de crer e receber alternadamente: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”. Crer em Jesus é aceitá-lO sem questionamento. Em 3:36, João usou os conceitos de crer e obedecer alternadamente: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra [“desobedece”] o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Em 2:24 a palavra grega para “crer” é traduzida por uma variação da palavra “confiar”. Para uma pessoa ser salva, ela precisa aprender a confiar em Jesus e no Seu sacrifício, e não em si mesma.

3) João escreveu para que as pessoas tivessem vida: “para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20:31). João não se referia a “vida” no sentido de respiração e outros processos físicos vitais, mas ele se referia a “soma total de tudo o que é concedido ao crente na salvação”. Na oração de Jesus em João 17, Ele disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (v. 3).

O relato de João tem sido chamado de “Evangelho universal”. O fato dele explicar distintamente os costumes judaicos (por exemplo, veja 2:13; 4:9; 19:31) indica que seu público-alvo ia além de sua própria raça. Devido ao seu apelo universal, o Livro de João é freqüentemente impresso como um livreto separado. Nesse formato, ele tem sido distribuído por todo o mundo e se tornou a porção literária mais amplamente distribuída.

As Características do Livro

Várias características exclusivas ao Evangelho de João já foram apresentadas. A maioria das demais características está relacionada ao propósito do livro.

Além dos sete “sinais” em João, há também sete “eu sou” proferidos por Jesus: sete alegações de Sua divindade (6:35; 8:12,58; 10:11; 11:25; 14:6; 15:1). Em vez de enfatizar as mensagens práticas de Jesus, como fizeram os sinóticos, João expôs discursos mais profundos sobre Sua natureza e missão.

A ênfase em João não é as proclamações públicas de Jesus, mas Suas conversas pessoais, particulares com indivíduos – como Nicodemos (capítulo 3) e a samaritana (capítulo 4). Vinte e sete entrevistas são registradas, algumas extensas e outras, breves.

O Livro de João contém uma variedade de estudos de personagens – muitos deles sendo indivíduos obscuros como Nicodemos (3:1–15; 7:50–52; 19:39), Filipe (1:43–46; 6:5–7; 14:8–11), Tomé (11:16; 14:5,6; 20:24–29), e Maria e Marta (11:1–40; 12:2–8). Na maioria dos casos, as referências a essas pessoas mostram o desenvolvimento da fé.

Todos os relatos do evangelho colocam grande ênfase na morte, sepultamento e ressurreição de Cristo; mas João faz isso ainda mais do que os outros. Metade do seu texto narra acontecimentos relacionados à crucificação. Tudo no livro caminha em direção a um momento decisivo chamado a “hora” (2:4; 4:21,23; 5:25,28; 7:30; 8:20; 12:23,27; 13:1).

Outros aspectos exclusivos ao Livro de João poderiam ser mencionados: ele é o único relato do Evangelho que se refere à conversão como o novo nascimento (3:3, 5), um tema ao qual João deu continuidade em sua primeira carta (1 João 2:29; 3:9; 4:7; 5:1, 4, 18). Ele destacou a vinda do Espírito Santo para guiar os apóstolos (14:16, 17, 26; 15:26; 16:13, 14).

João

– Escrito depois de Mateus, Marcos e Lucas
– Contém o estilo mais simples, porém os tópicos mais complexos
– Enfatiza…
  > a divindade de Jesus
  > a fé em Jesus
  > os sinais de Jesus
  > encontros pessoais de Jesus
  > as declarações “eu sou” de Jesus
  > a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus
– Escrito para todas as pessoas
– Escrito para termos vida por meio de Jesus


As Divisões do Livro

Outro aspecto exclusivo a João é a ênfase no começo do ministério de Jesus. Os relatos sinóticos se movem rapidamente para o que se tem denominado “o Grande Ministério na Galiléia”, mas João fala do ministério anterior de Jesus em Jerusalém e na Judéia. João também registra viagens de Jesus a Jerusalém durante Seu ministério na Galiléia. Por conta dessas ênfases, João menciona três (talvez quatro) festas da Páscoa (2:13; 6:4; 11:55–57; 5:1?)23. Qualquer esboço do Livro de João deve refletir sua preocupação com a obra de Jesus em Jerusalém.

Por causa do extenso bloco de ensino dirigido aos apóstolos de Jesus nos capítulos 13 a 17, muitos esboços dividem o relato de João em três partes: 1) Ministério Público de Jesus (1:19-12:50); 2) Ministério Privado de Jesus (13:1-17:26); 3) Ministério Universal de Jesus (Sua morte, sepultamento e ressurreição) (18:1—21:25). Tenney dividiu o ministério público de Jesus, usando três “Cs” para seus pontos principais24. Shackelford adaptou as palavras chaves de Tenney para produzirem este esboço: Prólogo (1:1–18); Consideração das Alegações de Jesus (1:19—4:54); Controvérsia com os Judeus (5:1—6:71); Conflito com os Judeus (7:1—11:53); Crise decorrente das Reivindicações de Jesus (11:54—12:36); Conferência com os Discípulos (12:37—17:26); Consumação da Obra de Jesus (18:1—20:31); Epílogo (21:1–25)25.

Para enfatizar que a metade do Livro de João se concentra na morte de Jesus, apresentamos duas divisões principais em nosso esboço: 1) o ministério geral de Jesus e 2) a última semana de Seu ministério, que girou em torno de Sua morte. A primeira divisão principal descreve Suas viagens a Jerusalém e Judéia. A segunda divisão principal contém duas partes: 1) as palavras finais de Jesus aos Seus discípulos nos capítulos 13 a 17 e 2) os outros acontecimentos que culminaram na cruz.

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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A vida de Cristo – 11

O livro de João – Cristo, o filho de Deus – I

No vocabulário e no estilo, o Livro de João é o mais simples dos relatos do evangelho. Ele é tão simples que é usado para treinar alunos iniciantes do Novo Testamento grego. Por outro lado, em muitos aspectos, João é o mais complexo dos quatro relatos, especialmente no que se refere aos tópicos que ele expõe.

O relato de João ocupa uma posição única: ele repete um pouco dos outros três relatos; traz um prólogo singular (1:1–18) e um trecho singular sobre o seu propósito (20:30,31). Para entender por que o Livro de João é diferente dos três relatos anteriores, precisamos entender as circunstâncias em que ele foi escrito.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE JOÃO

O Autor do Livro

O livro identifica “o discípulo a quem Jesus amava” como aquele que “escreveu” as coisas narradas no livro (João 21:20, 24). Os cristãos da era primitiva estavam convencidos de que esse discípulo era o apóstolo João. Irineu referiu-se aos três primeiros relatos do evangelho e depois disse: “Depois disso, João, o discípulo do Senhor que se reclinou no seu colo, também publicou um evangelho enquanto residia em Éfeso, na Ásia”. Entre os que atribuíram o livro ao apóstolo João estão Teófilo de Antioquia, do segundo século; Clemente de Alexandria; Tertuliano (ca. 155–225 d.C.); Orígenes e Hipólito (ca. 170–235 d.C.).

As evidências internas do livro concordam com esta conclusão: o escritor era um judeu com conhecimento das festas e costumes judaicos e da relação dos judeus com os samaritanos. Além disso, ele era um judeu da Palestina com um amplo conhecimento da Palestina em geral e de Jerusalém em particular. Ele foi uma testemunha ocular de muitos acontecimentos sobre os quais escreveu (veja 1:14; 21:24). Esses fatos encaixam-se no apóstolo João.

Um breve resumo da vida de João faz-se necessário: seu nome é uma abreviação de uma palavra hebraica que significa “o Senhor tem sido gracioso”. Os pais de João eram Zebedeu e Salomé (Marcos 1:19,20; 16:1 [compare Marcos 16:1 com Mateus 27:56]) . Ele e seu irmão, Tiago, eram pescadores (Marcos 1:19,20) – sócios de Pedro (Lucas 5:10). A família de João parecia ser próspera. Eles possuíam servos (Marcos 1:20), e tinham ligações políticas. (João era conhecido do sumo sacerdote e conseguiu que Pedro tivesse permissão para entrar no pátio do sumo sacerdote [João 18:15, 16].)

Talvez João fosse o discípulo anônimo de João 1:35–40; podendo ter sido seguidor de João Batista. De qualquer maneira, Jesus o chamou para ser um de Seus discípulos (Mateus 4:18–22). Mais tarde, ele foi escolhido para ser um dos doze apóstolos (Mateus 10:2). João geralmente é considerado o apóstolo mais jovem dos doze.

João desfrutou de um relacionamento especial com o Senhor: ele era um dos três que formavam o círculo de amigos mais íntimos (Marcos 5:37–40; 9:2; 14:33) e recebeu um lugar de honra na última ceia (João 13:23). Ele se referiu a si mesmo como o discípulo a quem Jesus amava (13:23; 19:26; 20:2; 21:7,20).

Aparentemente, João era um homem irascível e tinha um temperamento colérico quando Jesus o chamou (Lucas 9:49–56; Marcos 3:17). Ele também era muito ambicioso (Marcos 10:35–37). Cristo conseguiu domar essa cólera e canalizá-la para usos melhores. Pouco antes de morrer, Jesus entregou Sua mãe aos cuidados de João (João 19:25–27). Por fim, João tornou-se conhecido como o apóstolo do amor. (A palavra “amor” encontra-se quase cinqüenta vezes
na sua breve epístola, 1 João.)

Após a igreja ser estabelecida, João continuou a ocupar uma posição proeminente entre os apóstolos (Atos 3:1; 4:19; 8:14; Gálatas 2:9,10). Segundo a tradição não inspirada, seu último ministério foi em Éfeso. Sabemos por meio de Apocalipse que, iniciada a perseguição romana, João ficou exilado na ilha de Patmos, do outro lado do mar Egeu, em relação a Éfeso (veja Apocalipse 1:9; 2:1). Segundo os primeiros escritores cristãos, na morte de Domiciano, João teve permissão para voltar a Éfeso, onde trabalhou até falecer. É provável que ele tenha escrito seu relato do Evangelho e suas três cartas (1, 2 e 3 João) enquanto viveu em Éfeso.

A Data do Livro

Os primeiros escritores cristãos indicaram que o Livro de João foi escrito depois dos demais relatos do evangelho. Conforme já afirmamos, Irineu disse que João escreveu após Mateus, Marcos e Lucas, “enquanto residia em Éfeso, na Ásia”.

Por que João produziu um relato do Evangelho posterior? Talvez ele quisesse complementar os outros três escritores. Talvez ele quisesse acrescentar informações adicionais confiáveis à base de informações já disponível nos Livros de Mateus, Marcos e Lucas.

Evidentemente, ele também escreveu para combater idéias errôneas que haviam se desenvolvido após os primeiros relatos serem escritos. Uma comparação dos Livros de João e 1 João mostra isso. Falsos mestres haviam surgido, negando que Jesus era o Cristo (1 João 2:22). Eles ensinavam que o Cristo não veio em carne (2 João 7; veja também 1 João 4:2), que o Jesus que andou na terra não era o esperado Cristo. Sendo assim, João começou seu relato afirmando enfaticamente que “o Verbo [Jesus] se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14a). Seu propósito declarado era convencer a todos que “Jesus é o Cristo” (20:31).

Levando em consideração os fatos acima, parece óbvio que algum tempo havia se passado desde que os Livros de Mateus, Marcos e Lucas foram escritos – provavelmente várias décadas. A maioria dos escritores conservadores data a composição do Livro de João na década de 90 d.C.

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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A vida de Cristo – 10

O livro de Lucas – Cristo, o Filho do Homem – II

A Ênfase do Livro

Lucas dirigiu seu relato a um público gentio: quando ele narrou o sermão do monte (ou um sermão parecido com esse), ele não mencionou “a Lei e os Profetas”. Ele evitou claramente termos judaicos como “Rabi” e “Hosana”. Preocupou-se em explicar a geografia da Palestina aos leitores. É de consenso geral que seu alvo especial eram os gregos. (Já foi afirmado que o próprio Lucas provavelmente era grego e que ele dirigiu seus livros a um oficial grego.)

Os gregos da época de Lucas eram pessoas cultas, amantes da beleza e da arte. Não é de surpreender que o relato de Lucas tenha um aspecto literário peculiar. Ele é completo, ordeiro e clássico. Mesmo excluindo sua relação com a salvação do homem, ele é um volume extraordinário. Uma tradição primitiva diz que Lucas era um artista. Tenha ou não pintado alguma tela, ele foi um admirável “pintor” de palavras: leia as quatro canções poéticas nos capítulos 1 e 2, que só foram registradas por Lucas. Saboreie histórias emocionantes como o Filho Pródigo no capítulo 15. As narrativas de Lucas são modelos de simplicidade e significância.

Os gregos também eram admiradores da virilidade perfeita. Eles idolatravam tanto a virilidade perfeita que seus deuses eram moldados à imagem do homem. A pessoas com essa mentalidade, Lucas apresentou Jesus como o perfeito Filho do Homem. A humanidade de Jesus é predominante no Livro de Lucas. Aqui estão algumas ilustrações desta ênfase:

– As referências históricas de Lucas mostram Jesus como um participante da história da humanidade.

– A genealogia de Lucas (Lucas 3) difere da de Mateus (Mateus 1): a genealogia de Mateus reforça a linhagem legal de Jesus – através de José. Em contraste com isso, a genealogia de Lucas parece enfatizar a linhagem carnal de Jesus – através de Maria – retrocedendo até Adão. Lucas mostrou assim que Jesus partilhava da mesma humanidade que todas as pessoas.

– Só Lucas registrou o nascimento de Jesus (Lucas 2). Os detalhes enfatizam Sua humanidade. Seus pais foram a Belém para pagar impostos (assim como qualquer outra pessoa). Jesus nasceu num modesto estábulo. As primeiras visitas que ele recebeu foram pastores.

– Só Lucas falou da infância de Jesus. O desenvolvimento de Jesus foi admirável, mas não anormal. Ele cresceu como os outros crescem (2:40,52).

– Lucas enfatizou que Jesus foi batizado enquanto outros estavam sendo batizados (3:21).

– Quando Jesus foi tentado (4:1–13), Ele enfrentou tentações que representam todas as dificuldades dos seres humanos.

– Em todo o ministério de Jesus, Sua humanidade foi salientada: Ele chorou (19:41); orou (3:21; 5:16; 6:12); sentiu compaixão (7:13; 10:33; 15:20); morreu (23:46).

Isto não significa que Lucas apresentou Jesus meramente como um Homem. Jesus era um ser humano perfeito; Ele era o Deus-Homem; Ele é nosso Salvador. Nós somos inocentes quando nascemos, mas Ele era santo (Lucas 1:35). O relato de Lucas enfatiza a obra do Espírito Santo na vida de Jesus. Existem mais referências ao Espírito Santo no Livro de Lucas que em Mateus e Marcos juntos.

Lucas
– Um olhar médico singular!
– O Evangelho mais abrangente!
– O material mais exclusivo!
– Ênfase na oração!
– Empatia pelos fracos, necessitados e marginalizados!


As Características do Livro

A maioria das características do livro está relacionada aos atributos já discutidos. O Livro de Lucas lança um olhar médico singular. O relato de Lucas revela muitas vezes o modo de pensar de um médico. Às vezes, Ele usou termos médicos. (Por exemplo, ele usou o termo grego para a agulha de um cirurgião em 18:25.) Só Lucas registrou que o “suor [de Jesus] se tornou como gotas de sangue” (Lucas 22:44). Quando Lucas falou da mulher que sofria de hemorragia havia doze anos, ele mostrou mais simpatia pelos médicos do que Marcos (compare Marcos 5:25, 26 e Lucas 8:43). Pessoalmente, este autor fica feliz por um médico confirmar o nascimento virginal, os milagres de cura, o fato de Jesus realmente ter morrido e o fato de ter ressuscitado corporalmente.

Como registro da vida de Cristo, Lucas é o mais abrangente. Nenhum relato diz tudo o que poderia ser dito (João 21:25), mas o Livro de Lucas é o mais representativo da vida de Jesus dentre os quatro. Dos quatro registros do evangelho ele é o mais longo.

Este Evangelho contém mais material exclusivo do que os demais relatos sinóticos. Como já observamos, só Lucas registrou o nascimento e a infância de Jesus. Com exceção de parágrafos isolados, o material de 9:51 a 18:30 é exclusivo a Lucas. Só Lucas forneceu detalhes do aparecimento de Jesus ressurreto aos discípulos de Emaús (24:13–35) e da ascensão (24:50–53; veja também Atos 1:9–11).

O relato de Lucas coloca ênfase especial na oração. O livro mostra que durante os maiores acontecimentos da vida de Cristo, Ele estava orando (3:21;6:12,13; 9:18,28,29). Em seu relato, Lucas deu uma atenção especial aos fracos, necessitados e marginalizados. Mulheres foram mencionadas em vários encontros. (Observemos a ênfase em Maria e Isabel nos capítulos 1 e 2, e as histórias da viúva de Naim e da mulher pecadora no capítulo 7.) Os socialmente excluídos são retratados numa perspectiva favorável (o bom samaritano [10:30–37], o filho pródigo [15:11–32], os coletores de impostos [18:13, 14], Zaqueu [19:2–10] e o ladrão na cruz [23:43]). Jesus foi “amigo de publicanos e pecadores” (Lucas 7:34).

O Propósito do Livro

Os comentaristas chamam Lucas de “o Evangelho da salvação” e “o Evangelho para o pecador”. Só esse Evangelho sinótico refere-se a Jesus como “Salvador” (Lucas 2:11). Um versículo chave do livro é 19:10: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.

As Divisões do Livro

O Livro de Lucas divide-se naturalmente em: 1) a infância de Cristo, 2) Seu ministério, 3) os acontecimentos em torno da Sua morte, e 4) Sua ressurreição. A segunda divisão – Seu ministério – também possui duas partes distintas.

A ênfase no começo do ministério de Jesus, que vai de 4:14 a 9:50, está em Suas atividades e milagres, embora alguns ensinos também tenham sido incluídos. Esta seção fala do Seu ministério na Galiléia. A maioria do material é semelhante ao dos demais relatos sinóticos.

A segunda parte, de 9:51 a 18:30, é peculiar a Lucas. (Pouco dela se encontra nos outros relatos do evangelho.) A seção mostra Jesus “determinado a ir para” Jerusalém – pelo menos mentalmente (veja 9:51). Geralmente esse período é chamado de ministério na Judéia e Peréia segundo o registro de Lucas. Milagres e ação são descritos nesses capítulos, mas a ênfase é o ensino. A princípio, a seção parece uma coletânea aleatória de ensino e parábolas, mas Lucas usou ali material novo para explicar o significado da missão de Jesus para seus leitores gentios.

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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A vida de Cristo – 9

O livro de Lucas – Cristo, o Filho do Homem – I

Chegamos agora ao terceiro relato do Evangelho, um documento que tem sido chamado de o mais belo livro já escrito.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE LUCAS

O Autor do Livro

O autor do Livro de Lucas não é mencionado no livro, mas a maioria concorda que seja Lucas, “o médico amado” (Colossenses 4:14). O escritor do Livro de Lucas também escreveu o Livro de Atos (compare Lucas 1:1–4 com Atos 1:1). Os dois livros foram evidentemente elaborados para compor dois volumes de uma mesma obra. O Livro de Atos revela que seu autor viajou muitas vezes com o apóstolo Paulo (veja Atos 16:10; 20:5; 21:1). Todos os companheiros de viagem de Paulo que se conhece, excetuando Lucas, podem ser eliminados. A conclusão de que o Dr. Lucas é o autor dos Livros de Lucas e Atos, condiz com as mais antigas tradições da igreja (não inspiradas).

Quem era Lucas? Nós o conhecemos pelo nome grego; é provável que ele fosse grego por nascimento (veja Colossenses 4:10,11,14). Isto faria dele o único escritor gentio que contribuiu para o Novo Testamento. É possível que ele tenha sido um dos primeiros convertidos em Antioquia. Nesse caso, ele teria se tornado cristão nos quinze primeiros anos após o estabelecimento da igreja.

Como já afirmamos, Lucas era médico (Colossenses 4:14) e um dos companheiros de viagem de Paulo. As passagens que citam “nós” em Atos começam em Atos 16, quando Paulo saiu de Trôade (cerca de 51 d.C.) para ir a Filipos. Aparentemente, Lucas ficou em Filipos quando Paulo partiu, porque as passagens narradas na primeira pessoa do plural, “nós”, cessam depois disso. Evidentemente, ele trabalhou com a congregação em Filipos até a volta de Paulo. A partir daí, a pessoa do plural retoma a narrativa; Lucas viajou com Paulo até o apóstolo ser preso por quatro anos em Cesaréia, uma cidade portuária da Palestina. Durante esses quatro anos, Lucas provavelmente ficou por perto – porque as passagens na primeira pessoa do plural reaparecem quando Paulo sai de Cesaréia para Roma. (Enquanto esteve na Palestina, Lucas pode ter realizado grande parte da pesquisa mencionada em Lucas 1:1–4.) Em Roma, Lucas foi um dos “cooperadores” de Paulo (Filemom 24). Mais tarde, depois que Paulo tornou a ser preso e aguardava a morte, Lucas esteve com ele (2 Timóteo 4:11).

Lucas foi um homem marcante: um grego culto, colaborador de Paulo e um pregador e missionário ativo. Como autor de Lucas e Atos, ele foi o primeiro grande historiador da igreja e defensor literato da fé cristã.

A Data do Livro

A data da composição do Livro de Lucas limita-se a duas direções. Por um lado, algum tempo havia transcorrido desde a morte de Jesus e desde a conversão de Lucas – tempo suficiente para vários relatos da vida de Jesus terem sido compilados (Lucas 1:1). Por outro lado, Atos (o outro volume da série) foi escrito evidentemente no fim dos primeiros dois anos de Paulo em Roma (Atos 28:30) – cerca de 62 d.C. A maioria dos escritores conservadores data a composição de Lucas em 60 d.C. aproximadamente.

O Prefácio do Livro

O Livro de Lucas tem um prefácio sem paralelo:

“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lucas 1:1–4).

Analisemos alguns destaques dessa introdução: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram”: evidentemente, havia um corpo básico de crenças a respeito de Jesus que era comum a toda a igreja.

“… conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra”: as palavras “testemunhas oculares e ministros” provavelmente se referem sobretudo aos apóstolos (veja Atos 1:21, 22), mas indicam a solidez de conjunto das crenças.

“… igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo”: isto pode indicar que alguns que escreveram relatos da vida de Cristo não investigaram tudo acuradamente. Vários manuscritos não inspirados – que se apresentavam como relatos da vida de Jesus – existem até hoje, mas estão cheios de contra-sensos.

“… desde sua origem”: Aparentemente, Lucas tivera contato com as “testemunhas oculares” do início da história da igreja.

“… dar-te por escrito… uma exposição em ordem”: isto pode indicar que Lucas fez uma tentativa mais deliberada do que os demais escritores do evangelho para produzir um relato cronológico da vida de Cristo. Como veremos, porém, nem mesmo o relato de Lucas é inteiramente cronológico. O termo “em ordem” refere-se, portanto, provavelmente à escrita de um relato ordenadamente – uma versão lógica, bem estudada.

“… excelentíssimo Teófilo”: “excelentíssimo” era uma forma de tratamento para um oficial. “Teófilo” é um nome grego que significa “amante de Deus”. Poderia se referir a todos que amam a Deus, mas provavelmente se refere a uma pessoa específica. Talvez esse indivíduo fosse o patrocinador de Lucas e financiador da publicação do livro.

“… para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído”: alguns pensam que a expressão “as verdades em que foste instruído” refira-se à instrução formal. De qualquer maneira, as palavras salientam novamente a existência de um conjunto comum de crença na igreja primitiva. Lucas poderia ser descrito como o primeiro “crítico” formal do cristianismo: ele não aceitou simplesmente os vários relatos que estavam em circulação; mas verificou completamente os fatos. Por isso, o que ele escreveu era “certeza”. Ele pareceu convidar seus leitores a verificar seu relato, pois deu constantemente informações históricas que podiam ser constatadas (veja 1:5;2:1,2;3:1;13:1,2). Descobertas arqueológicas confirmam que Lucas foi um historiador preciso e dão grande peso aos seus relatos da vida de Cristo e da igreja primitiva.

Uma Fonte Especial do Livro

No que concerne às fontes utilizadas por Lucas, uma nota especial deve ser feita sobre seu relacionamento com o apóstolo Paulo. É de acordo geral que as duas figuras centrais da igreja primitiva foram Pedro e Paulo. Conseqüentemente, suporíamos que a tarefa de registrar a vida e os ensinamentos de Jesus não teria sido realizada sem eles exercerem alguma influência nesse importante trabalho. Se as tradições antigas (não inspiradas) são verdadeiras, ambos tiveram uma parte: conforme mencionamos na lição sobre o Livro de Marcos, acredita-se que Marcos tenha anotado o evangelho segundo Pedro.

Semelhantemente, as tradições primitivas dizem que Lucas registrou o evangelho segundo Paulo. Paulo não foi discípulo de Jesus durante Seu ministério terreno; mas, por revelação, Paulo recebeu as informações básicas sobre a vida de Cristo (veja 11:23;15:3–8; Atos 20:35). Lucas teria ouvido Paulo pregar muitas vezes sobre grandes temas relacionados a Jesus.

Isto não significa que Lucas dependesse unicamente de informações oriundas de Paulo. Ele acrescentou sua própria pesquisa extensiva. Apesar disso, o consenso geral dos escritores antigos não inspirados é que Lucas registrou o evangelho de Paulo. Isto aumenta a relevância do fato de o Livro de Lucas ter sido evidentemente escrito para um público gentio, e especialmente para os gregos: Paulo foi o apóstolo dos gentios (Atos 26:16–18) e provavelmente foi o primeiro a pregar o evangelho aos gregos (Atos 17).

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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A vida de Cristo – 8

O livro de Marcos – Cristo, o Servo – II

As Características do Livro

As características do livro estão amplamente relacionadas com sua provável fonte (Pedro) e seu propósito (apresentar Jesus como servo). Como já observamos, Marcos é um evangelho de ação.

Além disso, Marcos é um evangelho de emoção. O livro registra as emoções e respostas dos públicos de Jesus: eles “se admiraram” (1:27); criticaram (2:7); ficaram com “grande temor” (4:41); ficaram confusos (6:14); “maravilharam-se” (7:37); foram hostis (14:1). Estão registradas vinte e três reações desse tipo. O livro também registra as emoções de Jesus: Ele ficou “compadecido” (1:41; 6:34; 8:2), condoído (3:5), indignado (10:14), profundamente comovido (7:34; 8:12), “tomado de pavor e de angústia” (14:33, 34).

Marcos também é um evangelho de preocupação. Jesus preocupou-Se com a felicidade, a fome, as dificuldades, a saúde e a hipocrisia das pessoas. Além disso, Marcos é um evangelho de serviço. Jesus socorreu os estranhos, libertou os mudos, alimentou os famintos e censurou os radicais.

Assim como os demais relatos, Marcos é um Evangelho da cruz. O maior serviço de Cristo foi Sua morte na cruz. Quarenta por cento do Livro de Marcos trata da última viagem a Jerusalém e dos acontecimentos consecutivos. Marcos só perde para João na quantidade de espaço dedicado a esses acontecimentos.

Finalmente, Marcos é um evangelho de vivacidade. O livro até relata os gestos pessoais de Jesus. O estilo é vigoroso e comovente. Alguns o classificaram como “o estilo de um pregador de rua”.

A Data do Livro

O Livro de Marcos evidentemente foi escrito no começo da segunda metade do primeiro século. Marcos mencionou Alexandre e Rufo (15:21), aparentemente porque eles eram conhecidos aos seus leitores. Isto coloca o livro dentro da geração da cruz. Observamos anteriormente a tradição que vincula o livro a Pedro. Muitos escritores antigos sugeriram que Pedro verificou o relato de Marcos antes que este entrasse em circulação. Estima-se que a morte de Pedro tenha ocorrido entre 65 e 68 d.C.12

Hoje, muitos acreditam que Mateus e Lucas copiaram de Marcos, mas as tradições mais antigas (não inspiradas) colocam Mateus em primeiro lugar. O comentário de Tenney é relevante:

“Se… estes Evangelhos são três diferentes apresentações escritas da mensagem apostólica acerca do Senhor Jesus Cristo inspiradas pelo Espírito Santo [e de fato são], tiradas do material comum que os apóstolos e os seus cooperadores pregavam, há uma boa possibilidade de que tenham sido produzidos simultaneamente.”

Entre os palpites dados para a data da composição de Marcos estão estes: 50–60, 58–65 e 60–70 d.C. Podemos afirmar seguramente que o livro foi escrito não depois do ano 70 d.C.

As Divisões do Livro

O Livro de Marcos não é fácil de ser esboçado. Marcos não seguiu a linha teológica de pensamento. Seu relato é um todo, elaborado para causar um impacto total.

Perspectivas diferentes têm sido sugeridas para o esboço do livro: John Phillips usou os pensamentos chaves de Marcos 10:45 para fazer suas divisões: 1) O Servo Dá Sua Vida em Serviço (capítulos 1-10); 2) O Servo Dá Sua Vida em Sacrifício (capítulos 11-16)14. Henrietta Mears ampliou essa idéia e sugeriu uma divisão em sete partes usando a palavra “servo”: 1) A Vinda e a Prova Servo (capítulo 1); 2) O Servo Trabalhando (capítulos 2 e 3), e assim por diante15. Alguns dividem o livro pelas duas principais regiões em que Jesus trabalhou: Galiléia e Judéia. A divisão em sete partes feita por Tenney fez uma decomposição mais detalhada das regiões por onde Jesus viajou.

Usaremos uma combinação dessas idéias e outras em uma lição seguinte. Tenhamos em mente, porém, que o Livro de Marcos deve ser considerado como um todo.

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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A vida de Cristo – 7

O livro de Marcos – Cristo, o Servo – I

Marcos, o segundo dos relatos do Evangelho, é talvez o menos lido e menos apreciado dos quatro. Todavia, ele faz uma apresentação poderosa da vida de Cristo.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE MARCOS

O Autor do Livro


O autor não é citado no Livro de Marcos, mas a tradição antiga (não inspirada) atribuiu o livro a João Marcos. O historiador da igreja Eusébio (ca. 260–340 d.C.) citou Papias (ca. 60–150 d.C.), que se referiu a Marcos como o escritor do livro. Eusébio também indicou que Clemente de Alexandria e Orígenes (ca. 185–254 d.C.) acreditavam que Marcos tivesse escrito o relato. Irineu (ca. 140–195 d.C.) confirmou essa tradição em seus escritos.

O nome hebraico de João Marcos era João (“o Senhor tem sido gracioso”), mas o conhecemos melhor por seu nome romano, Marcos (“guerreiro”). É provável que ele vivesse em Jerusalém na casa de Maria, sua mãe (Atos 12:12). É possível que ele tenha sido uma testemunha ocular de alguns dos acontecimentos da vida de Cristo que ocorreram em Jerusalém. Muitos escritores acreditam que em Marcos 14:51 e 52 João Marcos estava se referindo a si próprio. Marcos foi evidentemente convertido pela pregação de Pedro (1 Pedro 5:13). Mais tarde, a casa de sua mãe passou a ser um local de reunião para os cristãos (Atos 12:12).

Colossenses 4:10 identifica Marcos como primo de Barnabé. Embora ainda jovem, ele começou a viagem com Paulo e Barnabé na segunda viagem missionária de Paulo, mas logo desistiu de continuar (Atos 12:25; 13:5, 13), deixando Paulo muitíssimo descontente (Atos 15:37–39). Barnabé ainda acreditava no potencial de Marcos e o levou numa viagem de pregação a Chipre (Atos 15:39). Mais tarde, Marcos trabalhou com Pedro na divulgação do evangelho (1 Pedro 5:13). Por fim, Marcos trabalhou com Paulo, e o apóstolo contou com a ajuda dele (Colossenses 4:10, 11; Filemom 24; 2 Timóteo 4:11).

Geralmente considerado mais jovem do que Jesus e a maioria dos apóstolos , alguns estimam que Marcos fosse uns dez anos mais moço. Juntamente com Timóteo e Tito, ele poderia ser descrito como um “pregador júnior” da era apostólica. A tradição não inspirada diz que ele fundou a igreja em Alexandria, no Egito.

Marcos teve oportunidades de aprender com muitos homens inspirados, incluindo Paulo. Todavia, a tradição antiga (não inspirada) enfatiza especialmente seu relacionamento com Pedro. As mesmas fontes que atribuem o Livro de Marcos a João Marcos insistem que seu relato adveio de Pedro. Por exemplo, Papias referiu-se a Marcos como “o intérprete de Pedro”. Disse ele:

“…o que ele registrou ele escreveu com grande precisão, todavia, não na ordem em que foi dito ou feito por nosso Senhor, pois ele não ouviu nem seguiu nosso Senhor, mas… ele estava na companhia de Pedro, que lhe deu a instrução necessária, mas não a ponto de compor uma história dos discursos do nosso Senhor: razão por que Marcos não errou em nada, escrevendo algumas coisas assim como as registrou; pois ele foi cuidadosamente atento a uma coisa, não ignorar nada do que ouvira, nem afirmar nada falsamente nesses relatos.”

Clemente de Alexandria disse que os ouvintes de Pedro instaram Marcos a deixar um registro da doutrina que Pedro comunicara oralmente, e que Pedro autorizara a leitura do relato nas igrejas . Irineu escreveu que “após a morte de Pedro e Paulo, Marcos entregou- nos por escrito coisas pregadas por Pedro”. Uma série de fatos parece confirmar esta antiga tradição: o sermão de Pedro em Atos 10:36–42 teria servido de esboço para o Livro de Marcos. Marcos foi o único escritor do evangelho que registrou as palavras de Marcos 16:7, que mencionam Pedro.

O estilo do livro é do depoimento oral de uma testemunha ocular. (Alguns escritores referem-se a Marcos como [o relato] contendo “o grego inculto de um falante”.)

O Propósito do Livro

A maioria acredita que Marcos tenha escrito para um público romano . Ele eliminou questões que não interessariam esse público, incluindo genealogias. Ele disse pouco sobre as profecias do Antigo Testamento. Não deu ênfase ao contexto judaico da vida de Cristo. Ao introduzir palavras ou costumes judaicos, geralmente as explicou. Usou expressões latinas onde outros escritores do evangelho usaram o grego (modius para “alqueire” [Marcos 4:21; ou “cesto” na ERC], census para “tributo” [12:14], speculator para “executor” [6:27] e centurio para “centurião” [15:39, 44, 45], por exemplo). Ele foi o único escritor do evangelho a mencionar Rufo (15:21), que era conhecido pelos cristãos de Roma (Romanos 16:13). A conclusão de Merrill C. Tenney foi que “[o Livro de] Marcos era apropriado para o leigo de mentalidade romana prática que estava ainda por evangelizar”.

Para agradar esse público, Marcos apresentou Jesus como um homem de ação. O livro é breve e conciso, o mais curto dos quatro Evangelhos. Pouco ensino é registrado: há somente quatro parábolas detalhadas e nenhum discurso extenso. Marcos enfatizou os milagres de Jesus, que saciaram necessidades humanas: considerando seu tamanho, o relato dá mais espaço a milagres do que qualquer outro relato do evangelho.

O Livro de Marcos tem movimento. Treze dos dezesseis capítulos começam com a palavra “e”. Uma das palavras gregas favoritas do autor era euthus (ou eutheos), que é traduzida por “logo a seguir”, “imediatamente” ou “a seguir”. Marcos usou essa palavra quarenta e duas vezes. Jesus é descrito se movimentando a uma velocidade sempre crescente rumo ao cumprimento de Sua missão.

Marcos 10:45 é um versículo chave do livro: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Prestemos atenção especial às palavras “servido” e “servir”. No Livro de Mateus; Jesus é descrito como Rei; mas no Livro de Marcos, Ele é revelado como um servo. Marcos não usou nenhum dos títulos divinos para Jesus, e Sua autoridade não foi enfatizada. Jesus ministrou.

Marcos um evangelho de…

– ação
– emoção
– preocupação
– serviço
– cruz
– vivacidade


Obviamente, o propósito principal desse relato inspirado é o mesmo dos demais Evangelhos: revelar Jesus como o Filho de Deus e nosso Salvador. O livro começa com as palavras: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Marcos 1:1). A palavra “evangelho” encontra-se doze vezes nos quatro relatos; oito delas estão no Livro de Marcos. Marcos diferenciou-se dos outros escritores somente quanto à perspectiva: Ele pintou um quadro conciso de Jesus e deixou o quadro falar por si mesmo.

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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Como Ser um Cidadão do Reino de Deus

Como Ser um Cidadão do Reino de Deus

O uso profético da palavra “reino” refere-se ao reino espiritual de Deus sobre os que se submeteram à Sua vontade em detrimento do mundo. Ele se refere a um reino e a um domínio – sendo que o reino é o reino espiritual de Deus sobre a vida e o domínio é a esfera espiritual onde esse reino de Deus é evidente. Esse governo régio de Cristo está incluso na palavra “igreja”. Quando um indivíduo submete sua vontade a Cristo, ele é levado para dentro do corpo de Cristo, a igreja. À medida que ele vive em submissão ao cabeça da igreja, Cristo Jesus, ele vive como parte do reino terreno de Deus. Por isso, “o reino de Deus” e “a igreja de Cristo” são expressões intercambiáveis, como revelou Jesus em Mateus 16:18 e 19.

Você pode se tornar um cidadão do reino de Deus entregando sua vontade à vontade do Rei. Cristo disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21). Nenhum ser humano tem o direito de ditar os termos ou condições da cidadania; só o Senhor possui esse direito. Jesus disse mais: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). O apóstolo Pedro reforçou que “nascemos de novo” através da Palavra de Deus quando obedecemos à verdade dessa Palavra (1 Pedro 1:22, 23).

A Palavra inspirada pelo Espírito (2 Pedro 1:21) nos ensina a crer em Jesus, a nos arrependermos de nossos pecados, a confessarmos nossa fé e a sermos batizados (imersos em água) (João 3:16; Lucas 13:3; Mateus 10:32; Marcos 16:16). À medida que seguimos as ordens do Rei, “nascemos da água e do Espírito” (João 3:5) e somos transportados da escuridão para o reino do Seu Filho (Colossenses 1:13). Como cidadãos do reino de Deus, nossos valores mudam. Não vemos o mundo como as pessoas o vêem. Estamos “no mundo”, mas não somos “do mundo” (João 17:11,14). Aqueles que pertencem só a este mundo preocupam-se com seus bens, seu presente, seu futuro e as questões do mundo. Os cristãos não pertencem ao mundo; nós pertencemos a um reino espiritual, e não a este mundo físico. Nossa devoção é espiritual, e não secular. Embora ministremos aos doentes, alimentemos os famintos e trabalhemos para tornar o mundo um lugar melhor para se viver, a verdadeiro interesse dos nossos corações é eterno. Buscamos acima de qualquer outro interesse a salvação espiritual de todas as pessoas que conhecemos. Vivemos com objetivos espirituais, e não mundanos. As pessoas deste mundo compram e vendem novas posses; os cristãos buscam novas almas. Vemos a inutilidade das coisas desta vida quando as vemos através das lentes da eternidade. Você é um cidadão do reino de Deus? Está vivendo como um cidadão desse reino?

Retirado do estudo “A Vida de Cristo” escrito por David Roper. Uma publicação de “Verdade para hoje”.

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